A moda do “ficar” e dos relacionamentos superficiais, ao contrário do que se imagina, não é a melhor opção para a satisfação do ser humano.
Trata-se de uma frustração aprendida a “duras penas” e com muito sofrimento.
Muitos autores afirmam que começar o relacionamento pelo sexo, é começar pela porta errada.
A porta certa de uma relação que tenciona ser consistente e benéfica, teria que começar pela porta da amizade, da conversa, do conhecer-se melhor e o sexo seria sua última etapa.
Olhando dessa maneira e encarando nosso século atual, isso parece piegas e, é claro, totalmente ultrapassado. Seria, então, a forma mais moderna que vivemos: pouco conhecimento do outro e rápida entrada pela porta do sexo, a melhor e mais prazerosa forma de relacionamento? Seria esse o formato mais adequado e melhor para todos? Pois, parece que não.
Começa-se pelo sexo e depois de rápido entrosamento e pouco convívio, entra-se na chamada relação a dois, com a tentativa de, aí sim, conhecer o conteúdo desse parceiro que já se conhece sexualmente.
E ….surpresa: começa a descoberta da personalidade do outro, das esquisitices do outro e da dura convivência que nem sequer se poderia supor. Etapa difícil essa, onde com o passar do tempo, esse parceiro que só trazia prazer, passa a trazer desprazer. Desprazer no confronto de opiniões, nos gostos, nos desejos, etc..etc…
Rapidamente termina-se a relação, pois há o despreparo e a falta de persistência para o aprofundamento nessa relação. Como há inúmeras “portas abertas” a serem visitadas e com tanta facilidade no encontro delas, não há lugar para a persistência do reencontro, que se torna obsoleto e indesejável.
Passa-se então ao próximo relacionamento, onde a repetição é constante e onde o término é inevitável e novamente outro relacionamento e assim por diante.
Frustrações acumuladas onde o deslumbramento do início da relação acaba, onde o prazer do sexo, que antes encobria as características do parceiro, agora se mistura às diferentes facetas de caráter. Começa a difícil tarefa do aprendizado do conteúdo. Começa o confronto da realidade.
Infelizmente, esse século caracterizado pela pressa, embrenhou-se também dos relacionamentos onde as pessoas, capturadas pela rede do fácil, do sem compromisso e do descartável, encontram-se de repente, surpresas ao descobrir tão cedo, a frustração, a mágoa, o sentimento da rejeição e muitas vezes a sensação de ter sido explorado e usado.
São pessoas que, na sua maioria por serem extremamente jovens e despreparadas emocionalmente, saem desses relacionamentos machucados, sofridos e levando para os próximos parceiros temores, desacertos, e obstáculos tremendos na relação que deveria ser leve e desarmada.
São jovens que chegam aos 30 anos, já profundamente incapazes de se relacionarem novamente de uma maneira mais sincera e comprometida; apesar de quererem. E como querem!
Incapazes de acreditarem no outro, já vencidos pelas inúmeras vezes que percorreram sempre o mesmo caminho do desencontro, têm sua habilidade de relacionamento podada pela dificuldade de lidar com o difícil e o permanente (e não mais com o fácil e o descartável.)
Vítimas da pressa, atropelam-se na única realidade que de fato, irá “segurar” a relação de duas pessoas: o conteúdo.
Desconhecem que o sexo é importante parcela dentro do relacionamento mas não a única.
Jovens, vítimas do novo formato desse século. Século tão avançado em tantas descobertas e tão algoz e destruidor no que de mais precioso existe que é o relacionamento humano.
Temos jovens despreparados quanto à realidade.
Por mais difícil que seja recompor esse formato e ajudar na estruturação e construção dessa realidade de conteúdo, é preciso fazê-lo.
Fonte: texto extraído do blog “Artigos de Psicologia”
Autora: Marilena Teixeira